Coligação Democrática

por João Gualberto

Marina Silva deu demonstração de grande sabedoria política ao ingressar no PSB do governador Eduardo Campos, depois de ver frustrada sua tentativa de criar um novo partido a tempo de disputar as eleições do ano que vem. Aliás, se Marina foi sábia, mais uma vez a justiça eleitoral foi meramente burocrática. E apegou-se a normas velhas e vencidas do ponto de vista social, para impedir o surgimento do novo partido. De fato havia evidências de um novo partido: ideias, lideranças e adesão popular. Faltou além das cinquenta mil assinaturas, sensibilidade à justiça.

Marina anunciou junto com a definição pelo PSB, a criação de uma Coligação Democrática para disputar as eleições. Duas agremiações partidárias distintas disputarão o poder juntas com o objetivo de vencer um adversário comum. Este mecanismo permitirá que ela trabalhe a identidade partidária da Rede, ao mesmo tempo em que se associa ao PSB para a eleição que se aproxima. Podemos visualizar um governo – caso o projeto se vencedor – com onde se trabalhem convergências e divergências. Ela pode construir um lugar autônomo para seu grupo político aliançada com o PSB. A estratégia me parece correta.

charge_presidencia

Quem estuda a história política brasileira vai encontrar exemplos de sucesso em casos semelhantes. Aqui mesmo no Espírito Santo tivemos nos anos 1950 e 1960 um bom exemplo disto. O fato me foi lembrado recentemente em longa conversa que tivemos – Estilaque Ferreira dos Santos, Neivaldo Bragato, José Luiz Kfury e eu – com o ex-prefeito de Vitória Setembrino Pelissari. Setembrino foi um dos articuladores da Coligação Democrática que reuniu todos os partidos impedidos de chegar ao poder pela longa dominação do PSD naquela época. Havia, como agora, um adversário a ser vencido. Isto justificava as alianças. A Coligação foi duas vezes vitoriosa, em 1954 e 1962. Mas, a história do próprio Setembrino mostra o caráter eleitoral da aliança. Ele foi deputado através da Coligação e seu líder na assembleia. O grupo político derrotado tinha Christiano Dias Lopes um de seus expoentes. Ele foi ainda presidente da assembleia no governo pessedista. Eles estiveram em lados opostos, afinal Christiano era PSD e Setembrino Entretanto com o Golpe Militar de 1964, UDN e PSD voltaram ao mesmo arco de alianças.

Afinal não haviam diferenças ideológicas notáveis. No tempo das eleições indiretas Christiano governador fez de Setembrino prefeito de Vitória. Ambos governaram com seriedade e foco na gestão. Dignificaram seus cargos. O que a experiência capixaba nos mostra é que as alianças bem construídas não anulam as diferenças e podem derrotar inimigos em comum.

Um comentário sobre “Coligação Democrática

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s