Bley e Jones: a ponte para a modernidade.

O Espírito Santo na era Vargas

A Era de Ouro dos coronéis no Brasil, terminou com a chamada Revolução de 1930. Os dois interventores que governaram o Espírito Santo na Era Vargas, entre 1930 e 1945: João Punaro Bley e Jones dos Santos Neves, foram, na verdade, nossa ponte entre o velho Espírito Santo das elites do café e um espírito novo que nascia em toda a nação, mas que eles personificaram em nosso estado. Foram eles nossa ponte para a modernidade.

O imaginário central da república dos coronéis era o da exclusão política das massas. Melhor da incapacidade política das massas. Seu papel no grande jogo da política era subalterno. Para ficarmos em um exemplo, vejamos como nossos maiores estadistas da primeira república tratavam as obras públicas que fizeram. Eram todas voltadas para os mais ricos. Gilton Ferreira fala em sua tese de doutorado que os códigos que disciplinavam a vida em Vitória, proibiam que os pobres visitassem os jardins públicos como o Parque Moscoso a grande obra desse período. Eram as classes perigosas no jargão oficial que usavam.

Mas, o Movimento de 1930 trouxe novidades na gestão política do Espírito Santo. Em primeiro lugar por ter saneado as finanças públicas do governo estadual, fortemente abaladas pela crise mundial iniciada em 1929. Investiu fortemente em saúde e educação.  Assim, ele construiu leprosários, sanatórios, asilos, hospitais, casas de saúde, penitenciárias, escolas, internatos. São da gestão de o Hospital das Funcionários Públicos, o maior do estado na época. Implantou ainda a Rádio Espírito Santo.

Por fim vale também registrar que ele implantou as Faculdades de Odontologia, de Farmácia e de Direito. Colocou a funcionar também a Escola Técnica Vitória e a Agro técnica de Santa Tereza. Ou seja, moldou um conjunto de obras com uma abrangência bem mais ampla do que as cidades republicanas construídas pelos velhos coronéis

Foi Bley quem colocou em funcionamento a hidrelétrica de Rio Bonito e construiu a Usina Suíça, além de ter construído o caís de minério do Porto de Vitória. Ele também construiu o Quartel a Polícia Militar em Maruípe. Cito essas obras, além do Estádio Governador Bley em Jucutuquara, para dar uma ideia rápida das ações importantes do seu governo.  

Bley deu um passo muito importante na construção do Espírito Santo moderno. Passo esse que foi seguido por Jones dos Santos Neves. Bley chegou ao Espírito Santo com as tropas ditas revolucionárias em 1930 e ficou no governo até 1943, quando foi substituído por Jones, que deu prosseguimento a sua obra. Podemos dizer com toda certeza que o Espírito Santo de hoje. Nas palavras do brilhante historiador João Eurípedes Franklin Leal, Jones fez a travessia entre a velha e a nova república. Seu projeto de modernização ultrapassou seus dois governos – já que foi governador eleito em 1950.

Quando falamos de Jones dos Santos Neve, devemos levar em conta que a sua obra iniciada ainda nos anos 1940 seria sentida em prédios escolares, postos de saúde, estradas, fóruns, cadeias, serviços de água entre muitos outros. Aprofundou e atualizou o projeto varguista em muitos sentidos. 

Mas, ele sobretudo instituiu o planejamento como um instrumento de poder para impor um sentido que ele dava ao seu governo e ao desenvolvimento do Espírito Santo. Tanto no Plano de Obras e Equipamentos na interventoria, quanto o Plano de Valorização Econômica do Espírito Santo, no governo democrático. Nasceu do chamado projeto jonista as bases da industrialização em nosso estado. O que não é pouco. Assim, em plena ditadura Vargas dois grandes dirigentes fizeram avançar muito o nosso estado. 

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