‘Ideia é unir cultura e desenvolvimento’

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Em entrevista ao Jornal Metro, Secretário de Estado da Cultura, João Gualberto diz que a economia criativa é um dos focos da pasta

Num Mercado em constante transformação , aquecido pela ebulição de inovações tecnológicas, a Secult (Secretaria de Estado da Cultura) assume um novo desafio: contribuir para o desenvolvimento da economia criativa no Espírito Santo.

Isso exige ir além das atividades artísticas e chegar até mesmo à produção industrial, que também precisa de criatividade. “Estamos vivendo um capitalismo cultural. Há exemplos importantes no mundo, como a Inglaterra, que passou por intervenção em sua lógica urbana, nos anos 90, ao criar sua indústria criativa. Ou o Peru, que se reinventou com foco no turismo. São países que se requalificaram com incorporação da cultura à agenda econômica”, explica o secretário de Estado da Cultura, João Gualberto.

Ele afirma que, desde as primeiras conversas com o governador Paulo Hartung, ficou estabelecido que a economia criativa seria um foco importante da pasta. Nesta entrevista, o secretário fala sobre as ações nessa área, o lançamento do projeto ES Criativo e os investimentos previstos para esse setor pelo governo.

Como será o trabalho da Secretaria de Cultura para desenvolver a economia criativa do Espírito Santo?

Nosso foco na economia criativa é fazer uma convergência entre cultura e desenvolvimento. O Espírito Santo tem um potencial cultural muito forte, com suas manifestações folclóricas, sua gastronomia, seu artesanato e sítios históricos. Temos de trabalhar esses patrimônios como elementos do nosso desenvolvimento, através do turismo, da qualificação de equipamentos culturais e até da nossa indústria, como os polos moveleiro de Linhares e de confecções em Colatina, que também necessitam da criatividade no campo da produção.

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Fotos: Gabriel Lordêllo • Mosaico Imagem

 

 

Isso envolve a geração de emprego e renda na área da economia criativa?

Estamos focados na formação. Por isso, nos associamos ao programa de Ocupação Social do governo do Estado para desenvolvermos nossos projetos em bairros de grande vulnerabilidade. Começaremos em breve essas ações nos bairros Vila Nova de Colares, na Serra; Santa Rita, em Vila Velha; e Nova Rosa da Penha, em Cariacica. Queremos formar um contingente de jovens, basicamente de 15 a 24 anos, habilitados nos fazeres culturais. Para serem capazes de ganhar a vida como músicos, designers ou no campo audiovisual. Vamos juntar as duas coisas: o fomento às atividades artísticas com a inclusão das pessoas na economia criativa.

Essa política de formação também abrange novas habilidades exigidas pelo mercado?

Há uma coisa importante que a cultura não pode ignorar, que é a tecnologia. Os jovens da periferia não querem somente as profissões tradicionais. Nossa formação tem de passar também por uma base tecnológica. Estamos nos aproximando da Secretaria da Educação para investirmos nisso. Existe em Vila Velha a Escola de Pós-Médio Vasco Coutinho, que pode ser utilizada como um local de formação no campo da música, do audiovisual, do design, entre outros.

Ao focar na formação, como a Secult vai se comportar em relação às políticas de patrocínios e de editais?

Estamos saindo da política de patrocínios e dando prioridade à política de editais, com base na meritocracia, que é algo comum tanto por parte do Ministério da Cultura, quanto das secretarias estaduais e municipais. Desde o dia 1º de janeiro de 2015, o governo do Estado proibiu essa política de patrocínios. Estamos tentando deslocar o foco dos eventos para as ações estruturantes. Passamos a fomentar atividades de formação presentes nos eventos, como cursos e oficinas. É preciso lembrar que existem também os editais de empresas privadas, como Petrobras, Itaú, Banco do Brasil, entre outros, além dos federais, como da Ancine e do BNDES. Queremos fazer a qualificação para que os nossos artistas possam disputar em condições mais competitivas esses editais. Mesmo com atraso no processo, tivemos neste ano de crise um edital significativo. Os resultados estão sendo divulgados com uma nova geografia de distribuição. Porque é intuito do governo formar novos talentos. A ideia é democratizar.

Como está o processo de montagem do projeto ES Criativo, que visa a fomentar essa nova economia cultural?

Quando assumimos, havia um projeto desativado de economia criativa. Tive conversas com os secretários de Turismo e de Desenvolvimento, o Sebrae, a Findes e a prefeitura de Vitória. Isso resultou na construção do programa ES Criativo. Contratamos uma consultora, Cláudia Leitão, que foi secretária nacional de Economia Criativa do Ministério da Cultura. Ela está nos assessorando na montagem desse programa, que faz parte do planejamento estratégico do governo estadual. Desde março, já foram realizados workshops e palestras para debater o assunto. Agora, estamos em fase de discussão com a sociedade. A economia criativa é um campo muito extenso. Temos de focar em quais áreas faremos as nossas ações de formação e apoio. Realizamos uma pesquisa on- -line, via rede social, listando as áreas para que as pessoas opinassem sobre quais deveriam ser contempladas no ES Criativo. Nossa intenção é que esse projeto seja instalado em 2016.

De que forma o Sebrae e a Findes poderão ajudar o ES Criativo?

Esperamos que nos ajudem na ampliação da formação dos novos talentos para o mercado de trabalho. Não necessariamente dando um emprego. Mas podem ser empreendedores como produtores, artesãos, músicos… Há por parte da juventude um interesse muito grande nas startups. O caminho é ajudar a formar empresas que se relacionem com o mundo dos negócios. É bom destacar que não estamos focados só nos jovens. A oportunidade será aberta a quem quiser.

Em relação aos espaços culturais, quais os investimentos da Secult?

Vamos requalificar os nossos espaços culturais. Faremos uma reforma na Biblioteca Pública, para melhorar o atendimento, e realizaremos intervenção na Biblioteca do Transcol para aumentar a quantidade de obras à disposição. O MAES receberá melhorias na parte técnica e na conservação do acervo. A Galeria Homero Massena e o Museu do Colono, em Santa Leopoldina, passarão por obras. E vamos buscar apoio para a restauração do Theatro Carlos Gomes.

A entrega do Cais das Artes sofreu novo adiamento. Isso atrapalha os planos da Secult?

As obras do governo estão sendo feitas com muita responsabilidade. Sabemos que os processos licitatórios são lentos. Como foi divulgado pela Setop (Secretaria de Transportes e Obras Públicas), o recomeço das obras será apenas em julho de 2016, com conclusão em julho de 2018. O que podemos fazer, enquanto isso, é focar na formação dos nossos artistas e técnicos e proporcionar uma ambiência cultural para que possam usufruir e ter acesso a este novo equipamento que será o Cais das Artes.

FIM

O caderno de Economia Criativa do Jornal Metro da última sexta-feira, 27 de novembro de 15, mostrou um pouco do Espírito Santo Criativo. Projeto, da Secretaria de Estado da Cultura, visa à economia com foco em boas ideias. Clique na imagem para ter acesso. 

 

Clique para acessar o MIni%20Vito%C3%ACria%20Cultura.pdf

MIni Vitoìria Cultura-1

 

 

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