• A origem do capixaba

    Por João Gualberto

    Uma observação inicial. As viagens marítimas ligadas às grandes descobertas estão intimamente ligadas à Ordem de Cristo, da qual Pedro Alvares Cabral foi um grande personagem. Assim, a chamada descoberta do Brasil tinha um caráter religioso vinculado ao imaginário das Cruzadas. A Ordem de Cristo organizou a Expedição de Pedro Álvares Cabral. A sua cruz ornava todas as caravelas portuguesas. A ideia central seria catequizar os supostos ímpios, os indígenas. A intenção era universalizar o cristianismo e o catolicismo, num mundo onde já havia a ameaça da Reforma Protestante.

    Outro dado. Quando os colonizadores portugueses chegaram ao solo capixaba – como de resto quanto ao que viria a ser o país onde hoje vivemos – eles certamente não tinham como objetivo criar uma sociedade autônoma. Antes, pelo contrário, trouxeram todo o aparato legal para a executar a gestão da Capitania do Espírito Santo. Uma normatização que utilizaram em toda a colônia. Nenhuma preocupação com os povos originários que aqui viviam. Usando uma expressão consagrada por Raimundo Faoro em Os Donos do Poder: “no Brasil o Estado existiu antes da sociedade”, já que tudo veio pronto nas caravelas. Estado e religião no Brasil não foram produtos da sociedade, mas imposição do colonizador, a partir de sua experiência europeia.

    O Estado português que se instalou na Capitania, tinha nas figuras do Donatário e o do Capitão Mor, as peças centrais do jogo de poder. Como as Capitanias eram organizações que operavam no nível público, aplicando a lei, e no nível privado, gerindo a produção econômica, realmente tinham um poder muito grande. Um poder total sobre os indivíduos. Esse poder era ainda ampliado pela distância da metrópole.  Ou seja, os que tinham poder, podiam mandar na nova ordem. Eles faziam o que bem entendiam.

    Acerca dos indígenas, nos primeiros séculos de colonização, o ideal lusitano era muito claro: torná-los cristãos e submetê-los ao regime de trabalho que tornasse a vida econômica viável. Os nativos não tinham poder de escolha.

    Os indígenas também foram barbaramente escravizados. Tanto é assim que era comum chamá-los de negros, nos escritos daquela época. A utilização do termo para os habitantes da terra era sintoma claro da sua condição de subordinação. Tão grande era o papel da escravidão indígena, que o historiador colonial Jorge Caldeira registra, em sua obra, que desde a fundação da cidade de São Paulo, o principal negócio dos portugueses era a venda de indígenas escravizados da região. Foram centenas de expedições com o objetivo de capturar homens e mulheres para o trabalho servil. Os prostíbulos europeus ficaram cheios de jovens indígenas brasileiras, submetidas a todo tipo de selvageria sexual.

    Nesse contexto, muito importante foi a obra da Companhia de Jesus, em uma espécie de mediação social, não só na catequese, mas também na educação dos brasileiros. Os primeiros jesuítas chegaram ao Espírito Santo no primeiro século da colonização e criaram, ainda na metade do século XVI, o Colégio São Tiago. Ficava onde está hoje o Palácio Anchieta. Para sustentar economicamente os alunos do colégio, eles criaram um grande conjunto de fazendas. A de São João de Carapina, Muribeca, na fronteira com o que é, hoje o estado do Rio de Janeiro, que chegou a ter 2.000 cabeças de gado, Araçatiba no atual município de Viana, são exemplos. Essas foram as maiores fazendas do litoral brasileiro no primeiro século da colonização. São elas um exemplo claro de que o tal marasmo colonial de que trata uma certa história do Espírito Santo é um mito. Contextualizando: Fomos prósperos e empreendedores no início da colonização.

    O papel dos jesuítas também é muito importante na conjuntura do surgimento de nossa identidade regional. Isso porque eles estavam muito preocupados em doutrinar os indígenas. Mais importante do que obtê-los como mão de obra, era tê-los no rebanho cristão. Ao catequizar os indígenas, eles estavam, de fato, tornando-os capazes de viver no mundo ocidental. Aptos a participarem do processo de dominação que era, no fundo o ideal lusitano.

    Não podemos esquecer que para realizarem a catequização, os inacianos mergulharam no mundo das matas. Aprenderam a sobreviver e conhecer bichos, insetos, ervas. Identificaram novas formas de alimentação e de curar doenças. Um século depois de terem desembarcado no Brasil, não seriam os mesmos.

    O grande arqueólogo Henriques Valadares em seus estudos profundos sobre o tema, acredita que a fusão entre indígenas, africanos e portugueses tenha produzido os primeiros capixabas na metade do século XVII. Esse novo ser que habitava, sobretudo o litoral do Espírito Santo, não era mais europeu e nem indígena. Era capixaba. Dotado de uma identidade própria e que resiste aos séculos de uma vizinhança forte com baianos, cariocas, fluminenses e mineiros. Sua identidade está mais alimentada nos saberes e falares indígenas do que a maioria de nós supõe. Quero com isso dizer que temos mais raízes nos povos originários do que a maioria de nós conhece.

  • Evangélicos e eleições

    Por João Gualberto

    O surgimento do movimento político dos evangélicos no Brasil, é um fenômeno que se acentuou de forma muito clara desde os anos 1990. A partir dessa época, o crescimento foi exponencial, ano a ano. Como sempre acontece na política, esses movimentos vão invadindo os campos do poder de forma gradual. No caso brasileiro, a primeira grande manifestação eleitoral da presença dos evangélicos na política se deu nas eleições de 2002.

    Naquele ano, Garotinho foi candidato a presidente da república. Foi a primeira eleição de Lula, que disputou o segundo turno contra José Serra. Os resultados do primeiro turno, entretanto, mostraram o candidato Antony Garotinho, na época no PSB, com 18% dos votos. O político fluminense fez uma campanha fundamentalmente voltada para o eleitor evangélico. Como consequência desse bom desempenho nas urnas, a bancada puxada pelo candidato majoritário cresceu enormemente. Até então, eram os católicos que sustentavam as pautas de valores morais. A alta hierarquia da igreja sempre defendeu teses conservadoras. Foram eles os responsáveis, por exemplo, pelo fechamento dos casinos no governo do General Dutra no final dos anos 1940.

    A presença católica era mais ampla do que uma bancada. Padres, Bispos e Cardeais sempre foram muitos atuantes no jogo de poder da sociedade. A força política católica era maior do que o número de candidatos que era capaz de eleger. Afinal, a igreja católica antecede ao estado no Brasil, veio nas caravelas. Com os evangélicos não seria diferente. Era preciso que o contingente de adeptos às religiões derivadas da reforma fosse capaz de mostrar de fato sua força na sociedade. E isso aconteceu. Foi justamente a partir daí que passaram a ser muito importantes.

    No Espírito Santo, foi eleito nesse movimento o Senador Magno Malta e no Rio de Janeiro, terra do candidato Garotinho, o eleito foi o Bispo Marcelo Crivella, da Igreja Universal do Reino de Deus. Crivella é sobrinho do fundador daquela denominação, Edir Macedo. Começa aí o processo de ocupação de espaços no congresso nacional. Foram 07 os deputados estaduais eleitos nesse período, entre eles o Pastor Robson Vaillant da Universal do Reino de Deus. Prova inequívoca da forte presença das igrejas na eleição. Robson Vaillant foi reeleito em 2006. Nos vários municípios os vereadores vinculados a essa mesma base, iniciaram um movimento de defesa do que consideram seus direitos.

    Foi nesse mesmo movimento cristão conservador que o atual prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio se inseriu desde o início, como membro atuante a Igreja do Evangelho Quadrangular. Teve cinco mandatos consecutivos como deputado estadual. Sempre marcou sua presença na assembleia legislativa por uma ação conservadora e de direita.

    Faço esse registro – o da passagem do legislativo estadual para a gestão de um município importante, o terceiro maior colégio eleitoral capixaba –  como uma marca do crescimento da presença evangélica no campo da política. Como ele sempre esteve vinculado à igreja e as suas teses morais, expressa o crescimento de importância política do pensamento conservador entre nós. Afinal somos considerados um dos estados mais evangélicos do Brasil.

    Cabe ainda uma observação, como o catolicismo também está fazendo uma inflexão conservadora com a forte presença de movimentos como a canção nova, o pai eterno, a renovação carismática, dentre outros, a presença das teses morais típicas desses segmentos tem também uma força muito grande entre os capixabas. Não será fácil para a esquerda se colocar com a força de antes nos nossos processos eleitorais. É preciso de um esforço de se reinventar, como já venho assinalando em outros textos.

  • Cidadania evangélica

    Por João Gualberto

    A ideia desse texto é a de tentar elucidar – ao menos parcialmente –  a adesão, em larga escala, de setores populares e da pequena classe média, digamos assim, aos movimentos de direita e conservadores no Brasil. O argumento aqui utilizado é o de que essa adesão se dá, em parte, pela busca da inclusão na sociedade, pela via da prosperidade. Esse é um caminho proposto pelas igrejas surgidas na Reforma Protestante, há muitos séculos, forte base dos movimentos conservadores, e amplificada pelo neopentecostalismo com a teologia da prosperidade.

    A motivação conservadora, aliada à pauta da prosperidade familiar, estaria assim na base da ascensão ao consumo de bens e serviços, mesmo os básicos como educação e saúde. O acesso a esses elementos da cidadania, que o estado não é capaz de dar, só é possível para os brasileiros com capacidade de compra.

    Retornemos ao passado para entendermos o trajeto histórico de tudo isso. No Brasil, nunca construímos uma verdadeira cidadania como fizeram outras sociedades. O conceito social de cidadão, oriundo da revolução francesa, nunca chegou, de fato, entre nós. Temos razões históricas que explicam esse fato. Para começar, nunca podemos esquecer de dois elementos fundamentais presentes em nosso processo de colonização pelo mundo europeu: o catolicismo conservador e o papel da escravidão.

    Em primeiro lugar, devemos lembrar que a chegada do colonizador a nosso país é da mesma época da Reforma Protestante. Somos produto da chamada contrarreforma, que acentuou, na igreja católica, os elementos tão criticados por Lutero e por Calvino. Os europeus que atravessaram o Atlântico trouxeram consigo um catolicismo impregnado pelas chamas do Santo Ofício.

    A Inquisição formou mentes e corações. Somos, desde sempre, uma sociedade marcada pelo imaginário de um cristianismo duro. Era religião oficial, obrigatória e bancada pelo Estado. Governo e igreja eram dois braços do mesmo corpo. Dois membros que asfixiavam qualquer proposta de autonomia vinda da sociedade. Não tivemos a possibilidade de criar, nesse período histórico, instituições que dessem suporte a um avanço intelectual, educacional ou que apreciasse qualquer vestígio de liberdade. Não tivemos os berços de uma cidadania plena.

    Além disso, éramos – e em grande parte ainda somos – uma sociedade altamente hierarquizada, tendo como base o que as elites dominantes chamavam de elemento servil: o trabalho desumano e desumanizante dos escravizados. Primeiro, foram os indígenas e depois os africanos – em boa parte do tempo, os dois. Enquanto os restos do regime aristocrata lusitano formavam as elites proprietárias e dirigentes, os trabalhadores eram a base da pirâmide sem quaisquer direitos. O povo brasileiro se constituiu assim, nesse imaginário social equivocado da desigualdade natural e naturalizada. Não deve, portanto, nos surpreender o fato de que a herança do período colonial foi uma cidadania de meia-tigela. Um país hierarquizado, feito de poucos que podem muito e muitos que nada podem.

    Do ponto de vista das bases materiais para essa hierarquização, foi a concentração da estrutura das propriedades agrícolas que tornou isso possível. Materializou a desigualdade. O latifúndio foi a base da agricultura colonial e permaneceu no Império. As grandes fases da economia agrícola brasileira como a do café, borracha, cana-de-açúcar ou cacau, foram esses latifúndios concentradores de terras e riquezas. Ampliaram desigualdade e não produziram cidadania.

    A escravidão em si é uma tragédia. A chamada escravidão moderna construída pela diáspora africana é uma das maiores crueldades já existentes na história do mundo. Suas marcas estão por todo o lado no Brasil. Basta lembrar o racismo. Além de obrigarem a todos o trabalho sem dignidade, sem renda, sem condições mínimas de saúde, ainda criaram a ideia de que os escravizados eram inferiores – que pertenciam a uma raça, conceito em si equivocado, merecedora de chibatadas e torturas.

    O racismo ainda hoje existente é uma herança da construção da nossa sociedade. Exilou os trabalhadores em um lugar de sub cidadãos. Mesmo hoje ele está presente entre nós. Mas não é o único elemento da formatação dessa nossa cidadania de meia-tigela. O machismo também exila as mulheres a um espaço muito restrito. Historicamente não tiveram outro lugar que não fosse o de mães e esposas. O espaço público sempre foi privilégio masculino.

    Fiquemos nesses elementos. Hoje, entretanto, há uma luta clara para vencer essa distância entre quem pode e quem não pode. A religião pode ser uma delas. Quando uma pessoa opta, por exemplo, pela religiosidade, cuja base é a ideia de prosperidade, de que o seu Deus colocou os recursos no mundo para serem usados por todos, está dando uma resposta a essa asfixia histórica e a incapacidade do Estado em prover esses serviços. Concretamente, dentro do marco conservador e de direita, em muitos casos, a busca de igualdade está na base da ideia da prosperidade. É uma espécie de Reforma Protestante à brasileira o que estamos vendo.

    Um cidadão consumidor pode estar surgindo em meio a um certo paradoxo do raciocínio ideológico tradicional. Há muito que o pensamento racional, nos modelos convencionais de uma ciência clássica, deixou de dar respostas às nossas questões sociais. Isso pode explicar muita coisa.

  • Atacar a polarização

    Por João Gualberto

    Tenho escrito com certa frequência sobre os riscos que a extrema-direita pode causar à instável democracia em nosso país. A soberania popular e a democracia são plantinhas que devem ser regadas todo dia, e que pode correr o risco de, ao ser submetida ao sol intenso, por longo tempo, murchar. Quando escrevo, tento não confundir extrema direita com os conservadores. São personagens diferentes. Os conservadores são os que preservam tradições e são, normalmente, contra os avanços sociais. Os reacionários querem promover o retrocesso e querem eliminar os que não concordam com eles. Representam a extrema-direita.

    Antes de querer conservar o legado do passado, a extrema-direita pretende promover mudanças e retrocessos para que suas ideias prevaleçam – como muito bem demonstraram os nazistas no início do nosso século. Os que promoveram o quebra-quebra em Brasília, no dia 08 de janeiro do ano passado são, certamente, extremistas. Não são a direita convencional do nosso país. Não é tradição do Brasil essa direita extremada e massificada, exceto no alinhamento que os integralistas fizeram ao nazi-fascismo nos, já distantes, anos 1930.

    Por quase um século fomos um país que, mesmo durante o período do governo militar, não teve práticas políticas de massa da direita. O apoio a ideias que agora absorvemos de um internacionalismo populista como o liderado por Donald Trump é algo diferente. Produto da enorme divulgação que permitem hoje as redes sociais. No contexto histórico político brasileiro, causa espanto, em boa parte da opinião pública, o surgimento dessa corrente que hoje amalgama o pensamento que dá, com excessiva facilidade, passagem e permissão ao ódio. De onde está surgindo esse sentimento, nos perguntamos com frequência. Proponho alguns motivos que me parecem relevantes.

    O primeiro deles, nasce da forma quase agressiva com que setores importantes do pensamento brasileiro trouxe à tona o chamado identitarismo, nos mesmos moldes do partido democrata americano. As lutas de classe, deram lugar aos combates de frações da sociedade e de suas bandeiras. As questões raciais, de gênero e outra auferiram grande destaque e têm promovido mudanças sociais. Entretanto, os excessos identitários assustam os mais tradicionais. Os evangélicos e cristãos conservadores são um bom exemplo. Espantados com os temas mais ousados, eles correm para o outro lado do espectro político. Embarcam na lógica das redes sociais alimentadas por pensamentos como os de Olavo de Carvalho e outros. Tornam-se extremistas.

    Outro motivo relevante, sobretudo no mundo do agronegócio, é a forma com que os conflitos da terra têm sido tratados por algumas autoridades.  Tudo aquilo que não está claramente colocado nas leis e nas normas, aceitas pela maioria, em uma sociedade, pode causar grandes transtornos. As chamadas invasões provocam revolta nos proprietários rurais. Quando o direito elementar á propriedade está em risco, é fácil incendiar esse setor social. É justamente o que tem acontecido nos últimos anos. Não são apenas as invasões, existem muitos outros elementos nessa combustão. Quero apenas atrair a atenção para um outro fator que tem levado a expansão e a radicalização de muitos. O mundo rural, o terreno do agronegócio virou lugar de expansão do pensamento autoritário. É fácil implantar o medo onde há muita insegurança.

    Podíamos citar ainda outras, mas creio que essas bastam para dar ao leitor clara ideia daquilo que desejo evidenciar. O ódio que alimenta a extrema-direita nasce de processos sociais muito concretos. Toda essa onda, que causa estranheza, não nasceu do nada. Não é um sentimento aleatório, o que os brasileiros desenvolveram. É produto da fragilidade de nossas instituições democráticas, da falta de leitura política de alguns extremados e do espírito conservador da sociedade que vem sendo instigado.

    Precisamos ter equilíbrio e buscar intervir na polarização com racionalidade política. Precisamos de sensatez na cena política. Para dar um basta nessa polarização afetiva, é preciso muita força de vontade coletiva.

  • A organização do prazer

    Por João Gualberto

    Uma das marcas da sociedade brasileira, é a grande dificuldade em organizar os espaços e as suas atividades coletivas. Não temos como característica a ordem, como os alemães ou ingleses, por exemplo. Afinal, somos filhos de povos ibéricos, tradicionalmente menos ligados a esse tipo de questão. Nem mesmo os órgãos públicos conseguem planejar suas intervenções na maioria das cidades. As prefeituras asfaltam, as companhias de águas e esgoto escavam crateras nos dias seguintes. Conserta-se, e logo depois vem outra empresa e perfura novamente. Dei apenas uma amostra do que vivemos em nosso dia-a-dia.

    Além disso, estamos às voltas com atrasos nos horários, calendários e cronogramas que raramente são cumpridos. Paradoxalmente, temos uma grande organização em outro gênero de eventos, como o das escolas de samba no carnaval. Trato, em especial, das escolas do maior carnaval brasileiro em que elas estão presentes, no Rio de Janeiro, mas avalio, também, Vitória. Aqui, na capital, desde que, o então prefeito Luiz Paulo Vellozo instituiu a antecipação do desfile das escolas de samba para uma semana antes da data oficial do carnaval, esse evento só tem crescido e melhorado.

    Sempre fiquei intrigado esse elemento da nossa cultura. Na Marquês de Sapucaí temos um espetáculo que é um dos maiores eventos turísticos do mundo. Há contradição entre a desordem nas atividades mais simples do nosso cotidiano – como os horários das reuniões ou o início dos eventos sociais – e a complexa organização dos desfiles, onde tudo funciona com perfeição. Não deve ser simples colocar todo aquele aparato de enormes carros alegóricos, milhares de pessoas, ou a bateria, na avenida. E tudo conduzido de forma cronometrada, dentro de princípios bem rigorosos de organização.

    Não quero avançar na análise do carnaval como festa popular, o que já foi feito, aliás de forma magistral, pelo antropólogo Roberto DaMatta em seu clássico “Carnavais, Malandros e Heróis”. Quero apenas me aventurar, numa tentativa de explicar a organização das escolas de samba. Acredito que um caminho explicativo é a importância que o desfile tem na vida de cada um dos envolvidos. O desfile é uma obra coletiva, importante para todas as milhares de pessoas partícipes do processo. É preciso ter ações integradas, sem as quais o evento fica inviável.

    É impossível pensar em um desfile desses, organizado de forma autoritária. Os sorrisos e a graça seriam destruídos pelo peso das tarefas de cada um. O sucesso do empreendimento pode tentar ser explicado pelo caráter coletivo e democrático de sua organização, e pela espontaneidade das participações. Conta, também, a importância pessoal e social que o evento tem na vida de todos.

    Muitos de nós conhecemos a história do trabalho e também das instituições sociais brasileiras. Elas nasceram imersas em um imaginário social autoritário e excludente. No início, pelo trabalho forçado dos escravizados. Pela forma tardia, e também imperiosa como as leis que garantiram o trabalho livre foram construídas. Depois, a incrível mania que tem as nossas elites de importar modelos de outras sociedades, sobretudo a norte-americana e a europeia.

    O contraste entre as duas formas de organizar o mundo: uma pela motivação e pelo prazer da colaboração coletiva e, a outra, pelo autoritarismo centralizador que elimina a importância de cada pessoa nos processos, é uma dica para avaliar o caso de sucesso de organização do nosso carnaval, imerso no prazer. Não é o único evento bem sucedido, apenas o mais visível. Vejo muito disso nos coletivos juvenis, nas celebrações da cultura popular e em muitos espaços onde está ausente – por puro desinteresse, o poder público.

    Enquanto não avançarmos nessa discussão estaremos fadados a ser um país menor do que poderia ser.

  • O cristianismo conservador

    Por João Gualberto

    Nós, no Brasil, de uma forma geral, temos utilizado de forma abusiva o termo Evangélico. Ele tem sido usado para denominar um contingente de pessoas que se comporta de forma conservadora na religião, na sociedade. Temos utilizado também, na mesma direção, a expressão “bancada evangélica” para tratar de vereadores, deputados e senadores que agem, nos parlamentos, na defesa de normas e leis que se apoiam em princípios morais rigorosos e até mesmo fundamentalistas. Tais princípios, no entanto, me parecem comuns às igrejas cristãs de uma forma geral, e ao catolicismo, inclusive. Vou explicar.

    Desde o início desse século XXI, a representação dos interesses mais conservadores tem sido confundida com as teses e práticas morais das igrejas evangélicas, de forma especial as chamadas neopentecostais como Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus, Evangelho Quadrangular, Renascer em Cristo, Igreja Mundial do Poder de Deus e muitas denominações nascidas da Assembleia de Deus, para citar apenas algumas. Na verdade, todas as igrejas até aqui citadas são mesmo conservadoras. Elas não evitam o adjetivo. O que me parece, entretanto, digno de nota, é que o cristianismo brasileiro foi, na maior parte de tempo e na maior parte dos lugares, de corte também muito conservador e não somente os evangélicos.

    Vamos pensar um pouco na história. Quando os europeus atravessaram o Oceano Atlântico, no século XVI, para colonizar a América, estavam ainda imersos na ordem social medieval. Os portugueses que para aqui vieram praticavam um catolicismo totalmente imerso na ideia de cristandade. Como muito bem me explicou em conversa culta e agradável o professor Edebrande Cavalieri, Doutor em Ciências da Religião, vinham com a ideia de que as religiões que aqui encontrassem e praticadas pelos indígenas deveriam ser combatidas. A única fé aceita seria aquela praticada e ensinada pela igreja católica. Ela excluía as novas práticas trazidas pela Reforma Protestante, a fé judaica, e também as crenças que tinham os escravizados trazidos da África.

    O catolicismo era religião oficial, obrigatória e organizada pelo Estado Português. O fim da fase colonial nada mudou na organização religiosa, já que o império brasileiro manteve a religião de estado e o culto obrigatório do catolicismo. As funções civis de registro de nascimentos, casamentos e mortes também eram privativas da Igreja Católica, no jovem país que se tornara independente. Foi assim, até o advento da república, já no fim daquele século.

    Nossas práticas religiosas cristãs, desde sempre estiveram muito mais vinculadas aos patamares conservadores e fortemente ligadas ao poder e ao estado. Não é por acaso que ainda no início do século, o Cristo Redentor já guardava e protegia a capital da nossa república e várias cidades do interior do Brasil.

    Crédito: dislentev

    A Ação Integralista Brasileira, uma espécie de fascismo tropical, cresceu no Brasil dos anos 1930, fortemente ligada à igreja católica. Os padres de milhares de paróquias brasileiras eram os maiores cabos eleitorais do partido de direita e conservador que era dirigido por Plínio Salgado. Essa é apenas uma evidência do que estou tentando argumentar. Temos outras, como as marchas com Deus pela Pátria e pela Família, que deu sustentação ao movimento militar de 1964, é outra evidência do que estou expondo.

    Acho que não preciso ir mais longe. O cristianismo brasileiro é majoritariamente conservador. Atribuir todo conservadorismo cristão aos evangélicos é um erro que eu mesmo já cometi. A representação desse cristianismo conservador não pode ser atribuída somente aos evangélicos. Não acredito que os católicos tentem discordo do conservadorismo da maioria dos fiéis.

  • Banalidade do autoritarismo

    Por João Gualberto

    Em meu último artigo, fiz um breve comentário sobre o livro Como Salvar a Democracia de dois autores estadunidenses, Steven Levitsky e Daniel Ziblatt. Eles analisam, basicamente, as ameaças que estão colocadas para a democracia em seu país. Na sólida argumentação que constroem, relembram movimentos do passado que, em suas épocas, também foram ameaças ao sistema democrático e se concretizaram no nazismo, no fascismo, no salazarismo e no franquismo, para citar as mais conhecidas entre nós.

    Atraiu, particularmente, a minha atenção, um movimento ocorrido na França, nos anos 1930, pela semelhança com acontecimentos recentes em nosso país. Narram, os autores, que na noite do dia 06 de fevereiro de 1934, dezenas de milhares de jovens raivosos – na maioria participantes de associações de veteranos ou de ligas de direita, que ostentavam nomes como Juventudes Patrióticas, Ação Francesa ou Cruz de Fogo – reuniram-se na Place de la Concorde/ Praça da Concórdia. 

    Os acontecimentos tomaram rumos inesperados. Houve queima de ônibus, e os manifestantes arremessaram objetos em direção à Assembleia Nacional. O violento ataque de 06 de fevereiro foi contido, mas produziu profundas marcas na política francesa. Os insurgentes afirmaram que eram patriotas heroicos que haviam tentado salvar a república da corrupção, do comunismo e da ausência de função pública. Eram mártires. Para eles, foi a polícia quem errou ao conter as manifestações.

    Quando o nazismo passou a ser uma ameaça a toda a Europa, esses mesmos grupos de extrema direita na França aderiram aos seus princípios autoritários. Quando o exército alemão invadiu aquele país, no início da Segunda Guerra Mundial, foram os membros de entidades, como a Juventude Patriótica, que colaboraram com os nazistas. Através deles, foi instituído um regime de colaboração com os invasores, na cidade de Vichy. 

    Mais do que isso, foram os que deram suporte à propaganda desse regime. Foram eles, os que mataram a democracia francesa, seis anos depois dos lamentáveis acontecimentos de 1934. Foram os seus líderes, os responsáveis pela entrega dos judeus, enviados aos milhares para a morte nos campos de concentração.

    As elites tradicionais têm a responsabilidade de liderar pelo exemplo e promover a estabilidade e o respeito mútuo na sociedade. Ao incitar grupos raivosos da chamada extrema-direita, elas correm o risco de desencadear ações violentas que fogem ao seu controle. A história da Europa nos lembra dos perigos desse tipo de colaboração, especialmente durante a ascensão do nazismo e do fascismo, quando grupos extremistas de direita encontraram terreno fértil para propagar suas agendas. É crucial aprender com esses eventos passados e trabalhar ativamente para evitar que tais situações se repitam no futuro.

    Essa colaboração foi construída durante décadas, e, sem ela, não teria havido a devastação que a guerra produziu. Os apoios nacionais de grupos de ultradireita foram fundamentais na construção de uma ordem que gerou a simpatia que fez Hitler e Mussolini avançarem. No fundo, esses grupos queriam que o nazismo triunfasse e seriam os apoiadores nacionais desses regimes.

    Por evidências históricas, como essa, é que devemos temer o crescimento de um patriotismo exacerbado, estribado em teses de intolerância e de exclusão dos adversários. Já que existe uma polarização inevitável no Brasil, que ela se dê no terreno da racionalidade política, a qual não admite que extremismos sobrevivam.

  • Salvar a democracia

    Imaginário autoritário entre os brasileiros é muito denso, é muito profundo, está muito enraizado
    por João Gualberto

    Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, os mesmos autores do excelente livro Como as Democracia Morrem, um best-seller global, escreveram outro que foi lançado no Brasil no ano passado, intitulado Como Salvar a Democracia.

    No livro recente, os dois professores de Harvard traçam um panorama das transformações que a democracia vem passando nos Estados Unidos. Eles analisam também, a perspectiva de mudanças que uma reação autoritária colocou. Essa reação autoritária, ameaça também os fundamentos do próprio sistema político. Ele estará no epicentro das eleições naquele país, agora em 2024.

    Para os autores, o modelo democrático estunidense garantiu a dominação de cristãos brancos durante dois séculos. Durante duzentos anos, ficaram no topo de todas as hierarquias econômicas, políticas e culturais do país. Isso começou a mudar de forma drástica no século XXI. As velhas hierarquias raciais estão sendo seriamente contestadas e o país começou a se tornar o que eles chamam de uma democracia multirracial.

    Os antigos donos do poder começaram a ter a sensação de que estavam perdendo o país. O lugar em que foram criados está sendo tomado deles. É essa sensação de perda é que vem empurrando uma grande base social para o extremismo, sobretudo no Partido Republicano.

    Para eles, a atual crise democrática nos Estados Unidos tem suas raízes numa reação contra a democracia multirracial. As mudanças estão sendo marcadas pela inserção política mais forte dos negros e de outros grupos antes afastados do poder. Foram muitos os direitos conquistados por esses grupos. São muitos também os atritos que a prolongada luta pela igualdade racial produziu. Comparando com a crise autoritária que também vivemos no Brasil hoje, ela tem para os autores diferenças importantes, a começar pela consolidação de inúmeros direitos produzidos pelas lutas raciais lá e aqui. Apesar de serem a maioria da população, os negros no Brasil estão longe de desfrutar dos mesmos direitos, proteções legais e oportunidades que os brancos.

    Por outro lado, a sociedade brasileira, marcada pelo coronelismo, tem profundos traços autoritários. Somos um país extremamente machista. Postos chave na cadeia de poder são sobretudo masculinos. Uma certa masculinidade tóxica acaba por tomar conta das organizações, da vida familiar e de todas as relações com a sociedade. Todas as questões de gênero têm muitas dificuldades em avançar entre nós.

    A cultura do desrespeito é muito forte também. Mais aqui do que lá. Desrespeito ao outro de uma forma geral, e especial com os mais fracos, com os pobres maneira geral. Em época de verão e férias, por exemplo, vemos isso no som alto as praias e lugares de entretenimento, sobretudo os públicos. Desrespeito aos idosos, aos portadores de necessidades especiais, àqueles que professam religiões que não sejam as nossas, de forma especial as de matriz africana.

    Temos muitas semelhanças sociais com os irmãos de norte da América. Tanto que o bolsonarismo como matriz autoritária avançou aqui, como avançou o apoio às ideias de Donald Trump lá. Temos também nossas diferenças. O imaginário autoritário entre os brasileiros é muito denso, é muito profundo, está muito enraizado. O fenômeno Bolsonaro foi produzido pelo que já estava instituído.

    Temos que reconhecer que não difícil que uma onda autoritária se implantasse entre nós. As pré-condições já estavam dadas. Todo o resto foi uma consequência dessas nossas raízes. Entretanto, a organização política para a manutenção de privilégios tão arcaicos na sociedade também não é fácil. Os próximos anos serão fundamentais na definição do tamanho de nossa capacidade de reduzir as injustiças, desigualdades e produzir a prosperidade para muitos no Brasil.

  • Polarização nas eleições municipais

    Por João Gualberto

    No início do ano de 2023 – logo nos primeiros meses dos novos governos e dos novos mandatos parlamentares – escrevi artigo onde afirmei que a polarização, que foi tão forte na eleição de 2022, tenderia a diminuir e ser menos intensa nas eleições municipais. Creio que não acertei na previsão. Antes, pelo contrário, o que vemos hoje é uma polarização que se enraíza, a partir das relações afetivas, sobretudo as que ocorrem junto às famílias. Os grupos de WhatsApp registram isso muito bem. 

    A sociedade brasileira adotou padrões de relacionamento extremados. Aliás, eles já existiam em outros países do mundo com forte presença da extrema direita. Nós somos muito influenciados, em especial, pelo que se passa nos Estados Unidos. De lá trouxemos para o Brasil as façanhas da era Trump. Assim, assistimos, mesmo agora, em tempos de festejar os encontros e os legados do afeto, muitos desencontros de amigos e famílias.

    No Brasil, tivemos por longas décadas, desde o início de 1980, um protagonismo enorme da esquerda no campo das iniciativas políticas e dos grandes movimentos da sociedade. São exemplos, as Diretas Já, a Redemocratização, a Constituição de 1988 e quase todas as políticas públicas que nos governaram nesse período. Esse protagonismo foi interrompido pela ascensão do bolsonarismo e da direita. Digamos que a cena ficou mais dividida. Em princípio, é bom e faz parte do jogo democrático. O que não é bom é a polarização afetiva que atinge nossas relações pessoais.

    Quanto às eleições municipais, elas costumam ser tocadas prioritariamente pelas necessidades locais. Isso significa que a zeladoria das cidades, as políticas locais de investimentos em infraestrutura, saúde ou educação ganham as pautas.  Obviamente que elas voltam a ter relevância para a conquista de votos. Entretanto, as razões, digamos, locais, dessa vez, terão um ajuste em função dessa grave polarização.

    Nas grandes cidades e capitais como São Paulo e Rio de Janeiro o impacto será muito maior. De forma inversa, em localidades muito pequenas essa influência pode ser mesmo muito menor. Existem ainda localidades que têm um bairrismo muito particular e que criam barreiras fortes para a polarização eleitoral que se aproxima. Não é um fenômeno mecânico, linear.  Ela vai nos afetar de forma distinta em diversas regiões. Mas, todos seremos, de uma ou de outra, afetados.

    Retomo, então, o início do meu raciocínio. Diferentemente de outros processos eleitorais nos municípios, teremos em 2024 eleições profundamente marcadas pela divisão esquerda x direita. Vou além. A direita está se preparando melhor para esse embate. Usa de forma escancarada os recursos da construção de uma certa verdade nas redes sociais e se organiza, hoje, melhor, de forma partidária. Por essas razões, deve avançar na conquista de prefeituras, projetando um ganho expressivo para as eleições nacionais e regionais em 2026, quando a polarização deverá ser exacerbada.

  • Serra: Eleições 2024

    Diferente de outros municípios: uma clara disputa já está colocada no maior colégio eleitoral do ES
    por João Gualberto

    São quatro os municípios que têm eleições em dois turnos no Espírito Santo. Portanto, são os colégios eleitorais mais importantes daqui. Na Grande Vitória forja-se boa parte das nossas elites políticas regionais. Nenhum dos governadores eleitos desde os anos 1940 teve qualquer mandato executivo no interior do Estado. São, sobretudo, produtos políticos dessa região. Importante, então, entender melhor o que se passa aqui.

    Abordei nos meus textos anteriores alguns elementos dos processos sucessórios em dois deles, Vitória e Cariacica. Hoje, tocarei no que deve ocorrer no município de Serra. O ciclo de gestões bem-sucedidas no município, foi iniciado em 1996 por Sérgio Vidigal. Ele teve duas eleições contínuas e em 2004 elegeu, por boa margem de votos, seu secretário de educação Audifax Barcelos, então, pouco conhecido.  De fato, ganhou três eleições consecutivas. Audifax também fez boa gestão em seu primeiro mandato, tanto que venceu mais duas eleições. Vidigal já está no quarto mandato. Os dois somam juntos 26 anos consecutivos de poder. É o recorde capixaba. Provavelmente a dupla mais longeva de nossa política, e mesmo do quadro brasileiro de sucessões municipais.

    Nas eleições desse ano, provavelmente, o atual prefeito será candidato à reeleição. É natural que seja. É o que tenho visto anunciado no noticiário político. Ao que parece, Audifax vai tentar reeditar a velha disputa de quase três décadas. Entretanto, seu desempenho nas eleições estaduais de 2020 acabaram por produzir um certo desgaste em seu capital político. Por outro lado, a equação de Audifax tem outra incógnita: sua inflexão à direita. Afinal, ainda não sabemos como o seu eleitorado vai entender o apoio que deu a Carlos Manato no segundo turno das eleições passadas. Manato foi candidato da direita bolsonarista, como bem sabemos. Esse é um fator novo.

    Por essas razões, não me parece evidente que a velha polarização venha a acontecer. Até porque, um novo ator vem ganhando impulso no processo, o deputado Pablo Muribeca. Ele tem pautado sua ação política pela lógica denuncista comum na direita. Essa lógica apelativa é muito potente para as redes sociais. Dá a ele, inclusive, um ar de ser mais de direita do que Audifax. Pode ocupar o lugar da polarização afetiva de que tenho tratado em meus textos. Mais ideológica, mais pautada em valores conservadores. Essa, que lida com razões que, às vezes, estão fora da política. Parece ter seduzido parte desse público mais reacionário. O bolsonarismo talvez encontre nele seu candidato.

    Pablo Muribeca e Sérgio Vidigal.

    Tudo vai depender da adesão que ele venha obter. Parte dos políticos da nova direita em nosso estado já parece estar atenta a esse fato. Mas eleição não é coisa para amadores, como tem registrado o próprio prefeito. A longa experiência de eleições de Vidigal terá seu peso, assim como as alianças que vem construindo ao longo de tempo. Vamos ver com quais armas Vidigal comparecerá ao campo de batalhas.

    Há, portanto, sinais de um novo embate. Só esse elemento já porta em si algo de novo na Serra. Os próximos lances vão definir melhor o que virá.