• CARNAVAL, CULTURA  E GESTÃO CULTURAL

    No Brasil, o governo, as empresas e a sociedade tem muito o que aprender com o Carnaval.

    João Gualberto

    Aceitei com muita honra o convite que me foi feito pelo governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, para assumir a Secretaria da Cultura neste seu novo governo. O desafio me encanta. Na verdade creio que ele permite exercitar um olhar que vinha desenvolvendo ao longo de minhas últimas atividades profissionais como consultor e diretor da Futura, mas sobretudo em minhas atividades acadêmicas.

    Um dos fundamentos deste olhar é que não creio que há obrigatoriamente divergência entre os conceitos de cultura e desenvolvimento. Acho que eles podem conviver de forma harmônica e criar certo nível de convergência. Um bom exemplo disto é o conceito de Economia Criativa, onde a dimensão cultural também melhora financeiramente a vida de enorme número de pessoas.

    Mas, não desejo neste artigo discutir o conceito de Economia Criativa. Quero antes dar um exemplo muito localizado de como um evento nascido no universo da cultura brasileira, transformou-se em lugar de gestão e exemplo para outras atividades do mesmo universo: o carnaval.

    Todos sabemos que a sociedade brasileira é muito desorganizada. Temos prova disto todos os dias em nossas vidas. O Estado funciona mal e presta serviços normalmente muito ruins à população. Vivemos às voltas com atrasos nos horários, calendários e cronogramas que raramente são cumpridos. As empresas tem dificuldade em cumprir seus compromissos com os clientes, e, por sua vez, também tem constantemente problemas de cumprimento de prazo por parte de seus fornecedores.

    Entretanto, em meio a este quadro nos deparamos com a quase perfeita organização das escolas de samba no Carnaval. Esta aparente contradição me leva a pensar por que razão existe esta discrepância. Porque os membros destas agremiações conseguem se organizar de forma a funcionarem bem, e, estes mesmos personagens, não conseguem a mesma organização quando se trata de outras instâncias da vida social.

    Carnaval, por Carybé
    Carnaval, por Carybé

    Não pretendo aqui analisar com mais detalhes a lógica interna destas festas – o que, aliás, já foi feito de forma magistral pelo antropólogo Roberto da Matta em seu livro Carnavais, Malandros e Heróis –, mas apenas chamar a atenção para um fato que me parece extremamente importante em um dos eventos: a organização deste desfile de escolas de samba, que tem sua maior expressão no Rio de Janeiro mas também movimenta milhares de pessoas todos os anos em nosso Estado.

    Evidentemente que a resposta a esta questão é muito complexa, e não esgotaria neste espaço. Mas, acredito que uma pista pode ser a importância relativa que o Carnaval tem na vida de cada um dos que estão envolvidos em sua organização. Ou seja,o desfile é uma obra coletiva, que conta com a participação de milhares de membros, e que precisa de uma ação integrada sem a qual ele é inviável. O autoritarismo jamais daria conta disso tudo. O sucesso desta organização complexa talvez esteja na forma democrática com que ela é feita, e pela importância social e individual que ela tem para cada um dos participantes.

    Será que este espírito democrático pode ser conseguido em outras instâncias da vida no Brasil?

    Será que somos capazes de nos organizar somente em episódios rápidos e sem maiores compromissos com continuidade, sendo incapazes de nos organizar para atividades de longo prazo? Não tenho resposta clara para estas questões, mas sei que outras sociedades conseguiram articular suas tradições com a lógica da globallização. E nós, seremos eternamente capazes de grandes efeitos de curta duração e incapazes de construir uma nação com base no esforço coletivo?

  • João Gualberto O livro escrito por Jorge Caldeira, a História do Brasil com Empreendedores, editada pela Mameluco em 2009, tenta explicar o desenvolvimento do Brasil Colonial levando em conta a história de nossas atividades empresariais. É obra fundamental para aqueles que pretendem avançar na compreensão de nossa trajetória social-histórica, e tem um caráter inovador em relação à nossa historiografia mais tradicional. Capa_Empreendedores1 Na verdade, trata-se de elucidar o papel do empreendedor em nosso processo econômico e social. O autor reúne dados e reflexões para desconstruir a ideia de que fomos apenas uma sociedade gerada pelo Estado ou um país que viveu somente do produto das exportações para o mercado internacional, sem dinâmica empreendedora própria, portanto. O mais importante para Caldeira é mostrar que – ao contrário do que toda uma bibliografia tradicional no Brasil tenta explicar – tivemos sim um forte mercado interno durante a colônia e que este mercado foi sustentado por uma multidão de pequenos, médios e grandes empreendedores. A partir do que o autor nos coloca, podemos pensar como a cultura empreendedora emerge em nosso imaginário social e como o capitalismo se insere em nosso processo social-histórico que continha elementos europeus, a escravidão africana e os indígenas. É disto que trata a obra. Para atingir o objetivo a que se propõe, o autor analisa de forma muito crítica a obra do grande pensador brasileiro da primeira metade do século XX Caio Prado Júnior. isto porque ele foi para Caldeira o grande artífice da elaboração de uma interpretação do Brasil que não enxerga nem o mercado interno e nem o papel de seus grandes articuladores, os empreendedores, os empresários e como eles criaram uma espécie de amarração de toda uma teia de significados que deram vida ao nosso mercado interno emergente. O que Caldeira mostra com veemência argumentativa e muitos dados históricos é que o Brasil que Caio Prado e outros autores importantes como Oliveira Vianna descreveram é apenas uma parte da história. A parte que permitiu a socialização – sobretudo no pensamento marxista brasileiro – de que fomos economicamente somente subordinados à lógica da colonização imposta pela Corôa Portuguesa. A outra parte da história é a deste Brasil que ficou em pé, que absorveu entre seus modos a dinâmica social e econômica dos habitantes indígenas e que forjou o imaginário do empreendedor como instituição imaginária na sociedade brasileira. Disto também se ocupa o livro, e de forma brilhante. As nações indígenas tinham sua estrutura econômica, sua política de trocas. Como era comum nestes universos, a estrutura econômica não tinha a autonomia que alcançou no capitalismo moderno. Estava antes toda imbricada em toda a estrutura social. As famílias estavam todas imersas neste imaginário. Assim, quando os colonos em seu intuito de enriquecer começaram a relacionar-se com as nações indígenas, promoveram casamentos que viabilizassem as transações desejadas. O Brasil assim tupinizou suas estruturas para poder sobreviver e transacionar mercadorias. Um capitalismo muito próprio e com grande força empreendedora. Mas Caldeira amplia sua crítica ao articular ar as formulações de Caio Prado às de um outro grande autor: Oliveira Vianna. Embora tenham expresso pensamentos distantes ideologicamente, pelo direitismo assumido de Vianna e o marxismo de Caio Prado, ao serem cotejados vê-se claramente a origem de uma certa leitura do Brasil que mutila muitos movimentos internos e elimina totalmente o papel social do empreendedor. Isto ele demonstra quando, por exemplo, quando diz que estas análises deixaram de fora o impacto da descoberta do ouro em terras brasileiras. É óbvio que a metal preciosos destinava-se à exportação, mas sua descoberta provocou enormes transformação em nosso mercado interno.

    O autor Jorge Caldeira. Foto: jornal Zero Hora
    O autor Jorge Caldeira. Foto: jornal Zero Hora

    Na verdade, ao utilizar de forma excessiva o conceito de latifundiário e de todo o universo que isto implicou – sobretudo como explicação das causas do subdesenvolvimento brasileiro como se dizia na época – foi que nossa historiografia matou o papel do empreendedor dos tempos coloniais. Além disto, retirou-lhe os aspectos positivos relativos à construção de um certo capitalismo com marcas próprias no Brasil, e reduziu-o a um personagem: o coronel. Pior do que isto, deu ao coronel uma gama de marcas negativas no campo da política. Concentrou de forma exagerada e equivocada seu olhar na violência e no controle social das massas, esquecendo sua extensa contribuição à formação de nossa economia e da nossa sociedade. Tirou-lhe, portanto, a dimensão empreendedora.

    Apesar das pretensões aristocráticas, o típico senhor de engenho era muito mais um empreendedor que qualquer outra coisa, e investia em atividades especulativas como o comércio de escravos, a coleta de impostos e a abertura de novas terras agrícolas.

    Em resumo, trata-se de toda uma argumentação muito rica e interessante e leitura muito oportuna para aqueles que querem entender nossa trajetória histórica e sobretudo não permitir que tenhamos uma leitura muito preconceituosa sobre nós mesmos.

  • A cultura do exagero


      João Gualberto* 

    Somos um povo exagerado. A maioria das nossas expressões, seja na TV, no futebol ou nas expresões do dia a dia, quando estamos “morrendo de saudade de alguém” revelam isto. E no plano político não somos diferentes. As eleições presidenciais se aproximam e surgem, em todos os lados da disputa, interpretações extremas. É comum ouvir o discurso que associa o governo atual ao comunismo.  Enquanto a oposição tenta sair do debate quase que único da vida pessoal de seu candidato. Mais exemplos de exagero.

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    Laerte e o exagero brasileiro

    De fato, todas as crises que acontecem com cada um de nós é vivida com a  pior das crises. Tanto individual como coletivamente, temos a tendência a descrever os fatos como mais duros do que eles são. Ou então, no inverso, com uma rapidez de soluções que só o mais superficial dos mortais poderia levar a sério. Um ensaio sobre as origens da Cultura do Exagero, que marca a sociedade brasileira, extrapola os limites deste pequeno artigo. Mas, julgo oportuno assinalar que essa cultura está presente em cada análise que fazemos, ou em cada medida que tomamos. O resultado prático é que é comum não estarmos nem tão mal, nem tão bem como costumamos dizer. Mais ainda: penso que a verdade é frequentemente encontrada em pontos intermediários, muito menos dolorosos ou prazerosos do que os que nós, brasileiros, costumamos procurar. É preciso ter isto em conta quando lemos os jornais ou quando contabilizamos os sucessos ou insucessos de um Governo, por exemplo. Todo elemento cultural está envolvido em uma grande rede de significações imaginárias sociais. Assim o exagero de nossas reações do dia a dia e nossa forma barroca de viver faz parte do que somos como povo. Faz parte de nosso código cultural. É preciso entendê-lo bem para não nos deixar enganar com muita facilidade e entender o Brasil. Sem exageros.

    Em tempo, não poderíamos esquecer a música de Cazuza. “Adoramos um amor inventado”

     

  • A ave que não voa

    João Gualberto

     

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    A Copa do Mundo de 14  e o dilema brasileiro: somos mesmo uma ave que não voa?

     

    As últimas 5 semanas no Brasil, período em que foi realizada a Copa do Mundo, evidenciaram dois elementos muito presentes na nossa cultura.  Antes da Copa vimos o tom geral da cobertura ser negativo e alertar para os problemas estruturais do Brasil. Pouco mais de um mês depois, o clima festivo e sucesso do evento conquistaram os brasileiros e as manchetes internacionais, apesar do fracasso dentro do campo.

    O primeiro elemento é a nossa falta de amor pelo Brasil, um dos pilares sobre o qual se apoia a vida social e o poder entre nós. Essa falta de amor se expressa, entre outras coisas, pela ausência de um sentimento profundo entre o povo e a nacionalidade. Nesta hora, temos uma imagem do Brasil como a única ave que não voa: a galinha. Apesar do enorme barulho que faz, só consegue voos minúsculos. Tanto barulho para tão pouco. À semelhança das galinhas, temos enorme dificuldade para voar.

    Não temos conseguido decolar como nação moderna e sem miséria, apesar do enorme ruído que faz o Brasil toda vez que se imagina lançar ao voo.

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    Nossa falta de amor ao Brasil: um mecanismo sobre o qual se apoia a vida social e o poder.

    O outro elemento é que somos um povo original e criativo. Ao contrário do que expressamos no primeiro elemento, reconhecemos que temos muitos fatores positivos, entre os quais destacam-se a inventividade, a capacidade de improvisar, um senso poético fantástico, uma enorme musicalidade. Temos, isto sim, uma imensa dificuldade em transformar esses traços originais, essa nossa singularidade, em ações coletivas capazes de transformar a sociedade hierarquizada e injusta na qual vivemos.

    Este dilema, a ambiguidade entre os dois elementos, transforma-se nesta incapacidade que tem os brasileiros de se transformar em atores coletivos capazes de mudar os seus destinos é que marca, ao meu ver, nossa vivência social.

    Já ouvi muitos estrangeiros, quando voltam de viagem ao Brasil, dizerem que adoraram os brasileiros. Entretanto, poucas vezes ouvimos dizer que os americanos ou os franceses são interessantes, ou que se gosta deles. Os elogios são dirigidos às cidades, por exemplo, Paris ou Nova Iorque. Somos certamente um dos poucos povos do mundo capazes de despertar esta simpatia coletiva. A Copa do Mundo disputada recentemente aqui mostrou bem isto. Mas, esse amor coletivo não existe claramente entre os brasileiros. Melhor: creio que ele existe, mas não é percebido e nem vivido como tal. Não se valoriza as verdadeiras raízes de nossa nacionalidade, entre as quais estão certamente a inventividade, por vezes tão ausentes em outros povos. Por que não valorizamos o fato de sermos brasileiros? Por que não nos orgulhamos de sermos assim e não buscamos a nossa identidade fora dos marcos racionalizantes das sociedades europeias e norte-americanas?

    Não é simples achar respostas para essas indagações. Não me atreverei a oferecer respostas, embora deseje muito contribuir para o voo desta ave. Creio, entretanto, que as respostas não podem se apoiar unicamente em fatos objetivamente econômicos. Afinal, após as cinco semanas em que o mundo esteve com os olhos voltados para o Brasil, tivemos uma oportunidade de observar que apesar de não construímos estádios com a velocidade dos alemães ou da China, fomos capazes de receber visitantes e suportar uma Copa com reconhecido sucesso.

    Creio também que a ausência da valorização coletiva de nossos predicados é profundamente perversa. Talvez possa vir desta valorização o sentido de uma identidade nacional reconhecida como positiva.

    Talvez esta galinha não voe porque não se ama, porque se desvaloriza e não queira voar. No dia em que valorizarmos nossas singularidades, começaremos uma longa caminhada de construção de outra nação.

    O antes e o depois da Copa : uma representação  do dilema brasileiro.
    As festas durante o mundial: somos certamente um dos poucos povos do mundo capazes de despertar esta simpatia coletiva.

     

     

     

  • O fim do poder

    João Gualberto, artigo publicado em A Gazeta sobre a obra de Moisés Naim.

    Um registro vale para iniciar esta resenha: trata-se de um bom livro, cuja leitura muito enriquece aqueles que gostam de estudar o tema. Moisés Naim, o autor, faz uma leitura atenta e inteligente  do tema, mostrando como o poder vem se fragmentando no mundo em que vivemos. E que esta fragmentação não se limita aos efeitos da  internet, mesmo sabendo que sua força na socialização das informações é algo extraordinário É um fenômeno muito mais complexo.

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    A greve dos garis no Rio de Janeiro, em 2014: os trabalhadores passaram por cima da ordem do sindicato. E a foto que marcou o movimento não é de um grande jornal, mas do grupo Mídia Ninja.

    Apesar do nome um tanto exagerado do livro, não existe a argumentação que o poder morreu, a frase limita-se ao título, aliás ruim para uma obra tão densa. Na verdade, trata-se antes um estudo da configuração do poder nos tempos em que vivemos. Os argumentos não surgem de devaneios , Afinal o autor foi ministro do desenvolvimento na Venezuela na década de 1980 e inicio da de 1990. Foi também Diretor Executivo da Banco Mundial e editor chefe da revista Foreign Policy. Ele é hoje autor de artigos respeitáveis em grandes jornais europeus.

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    Moises Naim é escritor e colunista venezuelano e, desde 1996, o editor-chefe da revista Foreign Policy.

    Um ponto importante do trabalho é quando ele utiliza a formulação sociológica de Max Weber para explicar que o poder no mundo moderno, sobretudo a partir do século XIX, organizou-se em grandes instituições burocráticas. Isto é válido para os estados, os exércitos, as religiões, as empresas e tudo mais que compõem tradicionalmente as estruturas que até aqui vem suportando as grandes aventuras econômicas e políticas da modernidade. A burocratização da guerra, por exemplo, tirou os generais da frente de batalha e os trouxe para espaços onde se constroem estratégias e acompanha-se as batalhas de longe.

    Mas, o século XXI trouxe muitas novidades. Entre elas o aprofundamento de um leque imenso de micro instituições que estão mudando a vida. Que vem saindo do controle dos grandes atores tradicionais tais como governos, exércitos, empresas ou sindicatos, para ser compartilhado por novos e inesperados rivais. Alguns deles muito menores em tamanho e recursos. Além disto, aqueles que controlam o poder deparam-se cada vez mais com restrições ao que podem fazer com ele. Na verdade argumenta o autor que o poder real de um presidente da república ou de presidente de uma grande empresa vem diminuindo. Eles devem ceder cada vez mais a este imenso leque de pequenas organizações que articulam outros níveis de poder como ONGs, por exemplo.

    Nesta perspectiva, o poder está passando dos que tem mais força bruta para os que tem mais conhecimento, do países do norte para os do sul e do ocidente para o oriente, dos velhos gigantes corporativos para as empresas mais jovens e ágeis, dos ditadores para o povo que protesta nas ruas. Hoje ele está mais fácil de obter, mais difícil de utilizar e mais fácil de perder. Organizações terroristas, sobretudo aquelas vinda do mundo islâmico, são prova concreta disto.

    Os argumentos do livro, sua tese central digamos, baseia-se no fato de que vivemos em uma época de abundância e temos mais de tudo. A produção econômica mundial aumentou cinco vezes desde 1950. Há mais 2 bilhões de pessoas no mundo do que havia duas décadas atrás. A produção aumentou, a população aumentou, a riqueza aumentou, formou-se uma classe média importante em termos globais. É a soma destes mais gera uma classe média impaciente e bem informada, que quer um progresso  mais rápido do que aquele que os governos são capazes de oferecer e cuja intolerância com a corrupção tornou-se uma poderosa arma política. São estes atores que estão em grande parte colocando em questão as velhas estruturas de poder. São para ele estas as razões de fundo para fenônemos como o movimentos das ruas no Brasil em 2013.

    Para o autor um dos aspectos importantes da fragmentação do poder é a enorme mobilidade adquirida em tempos de muita mobilização. Se os emigrados fossem um país, ele seria o quinto mais populoso do planeta.  As revoluções do mais e da mobilidade criam e fortaleceram uma nova classe média cada vez mais exigente  e cada vez mais distantes do velhos mecanismo de poder e controle social. Isto acabou por produzir uma revolução da mentalidade segundo o autor. Esta nova mentalidade, associada os mecanismos que a tecnologia oferece hoje estão mundo o mundo. Estão de fato reconfigurando o poder e  mudando a vida.

    O livro é, de fato, uma boa leitura para os interessados.

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    Imagens do site: moisesnaim.com
  • O tempo e o vento: reflexões sobre a cultura política brasileira.

    Por João Gualberto

                                                                         

    O Tempo e o Vento é um épico de Érico Verissímo. Trata-se  de um dos romances mais importantes do autor, e grande sucesso junto ao público. Além de inúmeras reedições do livro, no ano passado, foi lançado um filme com o mesmo nome do romance, dirigido por Jayme Monjardim. O filme também  foi exibido como uma espécie de minisérie em  três capítulos na TV Globo. Trata-se, na verdade, da adaptação para as telas de O Continente primeiro livro de uma série três. Aliás, já existe outro filme dos anos 1980 de bastante sucesso e uma minesérie de 1985 na mesma TV Globo, mas muito mais longa, com vinte e cinco capítulos.

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    Cena do filme de Jayme Monjardim, de 2013: na verdade, uma adaptação para as telas de O Continente, o primeiro da série de três.

    Explica-se o interesse maior pelo primeiro livro da série, pelo fato dele ser o mais denso historicamente. Publicado pela primeira vez em 1949, O Continente retrata a história do Rio Grande do Sul entre 1745 e 1945 sob o ponto de vista da família Terra Cambará.  A história se inicia ainda no território das missões quando uma índia violentada e muito ferida chega ao território. Ela morre em consequência dos ferimentos, mas dá a luz a uma criança que se chamaria Pedro e que dá origem a uma família cuja história se confunde com a do Rio Grande do Sul.

    Pedro engravida Ana Terra e seu filho vai ser crescer em um povoado que estava sendo criado e que se chamou Santa Fé, cidade fictícia em torno da qual todo o romance se passa. Neste povoado brilha anos depois um certo Capitão Rodrigo Cambará, que se casa com a neta de Ana Terra. Destemido e de comportamento valente, ele espelha bem o personagem típico da época no romance.

    O mundo descrito pro Érico Verissimo é inóspito, cheio de perigos e vive em um clima de guerras constantes. Afinal, trata-se de uma região em que o mundo que os portugueses criaram na América faz fronteiras e se rivaliza de forma permanente com o território espanhol em nosso continente. Este clima permanente de tensão e desafios dá origem a uma sociedade rústica em seu tempo e com características culturais muito próprias.

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    O escritor Érico Veríssimo: um dos escritores brasileiros mais populares do século XX.

    Raros são os livros que conseguem de forma tão clara, e com um texto da mais alta qualidade, mostrar as entranhas de nosso sistema social. Ele nos dá elementos para refletir sobre a origem de elementos de nossa cultura, mais especificamente e de como se foi estruturando no Brasil as possibilidades de construção de uma cultura política autoritária, elitista e que só inclui o povo de forma lateral. Mesmo nas guerras por todos disputadas os heróis são poucos e sempre pertencem às famílias dos proprietários de terra. Vemos na obra o surgimento de um certo coronelismo com cortes caudilhistas, com lugar muito especial para o discurso heróico. A violência é a marca das relações sociais e a ausência de limites um elemento que ajuda a instituir uma certa cultura política.

    Mas, se o sucesso de grande público é sobretudo o primeiro livro da série, os dois seguintes, O Retrato e O Arquipélago são igualmente geniais. Eles mostram os desdobramentos na estrutura do poder dos comportamentos herdados da Colônia e do Império e como foi se consolidando um padrão de comportamento coletivo que em tudo favoreceu a construção de uma sociedade machista e excludente, onde o universo feminino é secundário e quase de segunda classe e o impulsos masculinos mais selvagens ganham a cena como os que definem o mundo. Mas, se esta característica construída historicamente marca o romance gaúcho, ele também retrata bem o conjunto da sociedade brasileira, igualmente desigual e excludente, onde negros, pobres e mulheres tem uma espécie de cidadania de segunda classe.

    Não por acaso o personagem dos dois últimos livros tem o mesmo nome de seu antepassado: Rodrigo Cambará. Mas, ele é médico formado em Porto Alegre, bem cultivado e de hábitos sofisticados. Consumidor do pensamento positivista, da música clássica tocada em seu gramofone e de todos os modismos do inicio do século XX. Mas, dentro dele habita o passado, o heroísmo que agora aparece por sua opção pelas revoluções políticas como a de 1923 no Rio Grande do Sul ou a de 1930 que levou Getúlio Vargas ao poder.

    Este comportamento valorizado do heroísmo na construção do poder local se soma às demandas de modernidade do sistema econômico  com a industrialização e ainda as inovações que invadiram a vida urbana no tempo dos automóveis e da energia elétrica. O novo tipo é híbrido, tem o passado articulado às novas necessidades. Nossa cultura política produz atores sociais que mesmo em busca do novo tem o coração enterrado no passado. São nossos homens de poder, tão modernos e tão retrógrados ao ao mesmo tempo. Tão coronéis.     

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    No terceiro livro, O descendente do primeiro Rodrigo Cambará mostra opção pela revolução política que levou Getúlio Vargas ao poder, em 30. Novas necessidades que não se desvinculam do passado.
  • O  pemedebismo na cultura política brasileira

    João Gualberto

    A Companhia das Letras acaba de publicar Imobilismo em Movimento, obra mais recente de Marcos Nobre, também autor de Dialética Negativa, de 1998 e Teoria Crítica, de 2004. O autor é professor de filosofia da Unicamp e pesquisador do Cebrap. No livro, o pesquisador faz um importante resgate dos acontecimentos políticos brasileiros das últimas décadas – na verdade dos movimentos políticos do pós-ditadura – com foco especial na construção de uma cultura política que ele chama de pemedebismo, e que é considerada estruturante na redemocratização brasileira.

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    O escritor, filósofo e cientista político Marcos Nobre.

    Em Imobilismo em Movimento  é feita uma espécie de síntese da política no Brasil nos últimos trinta anos. Mas, não de  uma forma qualquer. Ele tem uma chave interpretativa, uma idéia-chave: a cultura do pemedebismo. Para Marcos Nobre o pemedebismo pode ser entendido como uma espécie de blindagem do  sistema político.  Esta blindagem represa as forças de transformação. Em última análise, é a redução das alianças em simples balcão de negócios e da prática política na busca de resultados sem preocupações morais.

    As origens do pemedebismo remontam ao velho MDB, partido criado durante a ditadura militar e que abrigava todas as forças de oposição. Depois de transformado em PMDB, encastelou-se no governo e de lá nunca mais saiu, justamento pela construção de uma lógica de poder apoiada no nosso imaginário político mais profundo. Mas, do decorrer da leitura, vemos que o pemedebismo não se restringe ao PMDB, mas é um modo de fazer política que está além dele. Nobre argumenta que foi se criando no país, em nome da governabilidade, um ambiente em que não existem situação e oposição, mas uma massa homogênea, amorfa e indistinta que fecha todos os canais possíveis de representação política de fato.

    Livro lembra que a primeira crise política enfrentada pelo sistema político atual se deu durante a constituinte, nos anos 80.
    Livro lembra que a primeira crise política enfrentada pelo sistema político atual se deu durante a constituinte, nos anos 80.

    Tentando explicar o fenômeno, o autor faz uma breve passeio pelo passado recente. Ele nos lembra que a primeira crise enfrentada pelo sistema político atual se deu entre março de 1987 e outubro de 1988, durante a Constituinte. A unidade forçada que marca nossa vida partidária chocou-se de frente com movimentos e organizações sociais, sindicatos e manifestações populares que não cabiam nos canais estreitos da abertura política. Sob o comando do Centrão – bloco suprapartidário que contava com maioria de parlamentares do PMDB – o sistema político encontrou maneira de neutralizar estas demandas articuladas na sociedade, apostando na ausência de uma pauta unificada e de um partido, ou mesmo frente de partidos, que canalizasse as aspirações mudancistas. Para  Marcos Nobre nasceu neste momento a primeira estratégia de blindagem do sistema político contra a sociedade, a que ele dá o nome de pemedebismo.

    A partir do impeachment de Collor, em 1992, o sistema aprofunda-se. Seguindo o modelo do Centrão, foi instalada uma lógica em nome da governabilidade que envolvia a construção de uma imensa maioria congressual. Até o final do governo de Itamar Franco, em 1994, as ferramentas de blindagem  foram sendo produzidas, testadas e aperfeiçoadas. Seu desenvolvimento deu-se ao longo dos dois mandatos consecutivos de Fernando Henrique Cardoso. Apesar de o PT ter se mantido durante mais de uma década como representante por excelência do antipemedebismo, o mesmo figurino se repetiu no período Lula, após o escândalo do mensalão , em 2005.  Vendo-se acossado pelo fantasma do impeachment, o governo Lula aderiu à ideia pemedebista da construção de supermaiorias parlamentares, o que continuou de maneira mais ostensiva sob a presidência de Dilma Roussef. Assim, o trabalho nos mostra que a cultura política que permitiu a construção do pemedebismo é mais forte do que os governos que tivemos. Todos eles.

    É muito rica a análise feita pelo autor. Ele dá elementos factuais de sobra para mostrar que nosso sistema político criou uma massa sem forma, movida apenas pelo ajuste de demandas individuais dos parlamentares, sobretudo. Falta-lhe talvez, porque este não é seu foco, uma retrospectiva histórica do chamado clientelismo. Nem o PMDB nem nenhum outro partido atual o criou. O clientelismo é uma instituição social criada através do tempo e de tal forma enraizada em nossas práticas sociais que podemos mesmo chamá-la de uma instituição imaginária. É dela certamente que nascem fenômenos estruturais como o estudado por Marcos Nobre.

    Mas, o fato é que o clientelismo, que remonta aos velhos coronéis, ganhou vigor em nossa democracia incompleta, não enraizada nos atos cotidianos da sociedade. Muitas coisas no Brasil tem andado para frente. Mas o sistema político tem sua lanterna na popa e ilumina para trás. Está preso ao passado. Na política pioramos. Criamos um sistema blindado ao povo. É disto que trata Marcos Nobre em livro que merece ser lido e discutido.

    Em 2013, a onda de insatisfação popular enfrentou um sistema político que se mostra blindado ao povo. Mais um elemento que torna importante a discussão do tema.
    Em 2013, a onda de insatisfação popular enfrentou um sistema político que se mostra blindado ao povo. Mais um elemento que torna importante a discussão do tema.
  • Ulysses Guimarães: A saga de um grande brasileiro

    João Gualberto

    Há vinte e cinco anos atrás, exatamente no mês de outubro, o Brasil passava a ter uma nova Constituição. Ela seria, na verdade, muito mais do que a grande norma disciplinar da sociedade brasileira. Foi o símbolo da nossa capacidade de vencer o arbítrio. De superar o casuísmo típico dos governos militares que tivemos por mais de duas décadas.

    Mas, a Constituição de 1988 não se fez sozinha. Ela foi, antes, obra elaborada pelo que havia de melhor na inteligência política brasileira. Toda uma geração de notáveis políticos esteve trabalhando para construí-la, sob a comando do Presidente da Assembleia Nacional Constituinte: o deputado federal pelo PMDB de São Paulo Ulysses Guimarães. Respeitado líder do processo, o Congresso Nacional fazia silêncio quando ele falava, e acatava seus encaminhamentos. Era respeitado e respeitável. Poucos tiveram em nossa história política mais recente o domínio do plenário da Câmara que ele teve.

    Mas, Ulysses não chegou a este lugar importante por acaso. Teve toda uma trajetória em defesa dos direitos individuais e das liberdades coletivas. Foi durante a ditadura militar, um dos maiores baluartes contra seus arbítrios e excessos. Muito antes disto, quando era Presidente da Câmara Federal ainda vinculado ao velho PSD no governo Juscelino Kubstichek já dava demonstrações de sabedoria política.

    Eleito por São Paulo, tinha um estilo quase que mineiro, como o de seu grande amigo e interlocutor Tancredo Neves. Em evento realizado para homenagear o presidente que morreu sem tomar posse, ele disse: Eu admirava Tancredo. Eu amava Tancredo. Eu temia Tancredo. São os sentimentos mais profundos que um grande político pode gerar em seus parceiros. Ambos tinham forte implicância com os oportunismos também históricos de José Sarney, muito embora tivessem tido longa convivência política. De fato foi uma âncora do problemático governo de transição capitaneado quase que casualmente por José Sarney. Ulysses levou para sua militância democrática toda sua longa bagagem de vida e de sabedoria política.

    É deste personagem que enche de orgulho a boa política brasileira que trata Jorge Moreno em sua livro A História de Mora: A Saga de Ulysses Guimarães. E o fez de forma muito interessante, resultando em obra leve e de leitura fácil para os que se interessam pela história da política brasileira. Ao invés de escrever uma biografia tradicional – que, aliás, já foi feito – ele optou por ver a vida de Ulysses sob o olhar de sua mulher, Mora Guimarães, sua companheira nas quase cinco décadas em que esteve no topo de nosso sistema político. Como se fossem registros escritos da intimidade do poder da época. Esta estratégia garante ao jornalista, também ele íntimo do grande político, uma compreensão mais humana do personagem.

    O livro de Jorge Moreno com prefácio de Roberto DaMatta
    O livro de Jorge Moreno com prefácio de Roberto DaMatta

    O prefácio, assinado pelo antropólogo Roberto DaMatta, chama a atenção que nos meandros de uma delicada e terrível luta política, uma visão feminina enxerga o que ocorre com os amigos do marido, com seus correligionários, seus eventuais aliados e seus inimigos, ocultos ou declarados, com o olhar de uma participante marginal. Assim, ele transforma no livro as supostas determinações da história, com sua lógica implacável, em jogo que passa, antes de mais nada, pelo trivial, pelo doméstico e pelo dia a dia que engloba, afinal de contas, todas as vidas. Em um clima, portanto, descontraído e cheio dos pequenos incidentes que fazem nossas vidas serem reais, o leitor vai descobrindo, em meio a luta pelo reestabelecimento democrático – sem si mesmo uma grande e meritória batalha – um homem que dignificou as grandes funções que exerceu. É neste contexto que podemos, por exemplo, entender o que levou Lula a apoiar e participar da campanha de Fernando Henrique ao senado em 1978, na chapa de Franco Montoro. Talvez a gente possa entender o começo das questões que fizeram com que PSDB e PT tivessem histórias de poder tão próximas e disputas eleitorais tão longevas. Nas eleições indiretas marcadas para serem vencidas pelo General Ernesto Geisel em 1973 Ulysses disputou na condição de anticandidato. Jorge Moreno atribui a esta militância corajoso parte do sucesso eleitoral do MDB em 1974, quando começaram a ser criadas as condições para o fim do ciclo dos militares.

    O autor recebe o atual vice-presidente do Brasil Michel Temer no lançamento do livro. Pílulas de sabedoria política.
    O autor recebe o atual vice-presidente do Brasil Michel Temer no lançamento do livro.

    Mas, os grandes momentos da vida política de Ulysses Guimarães foram sem dúvida aqueles em que deu à construção da democracia que hoje vivemos. Ele foi fundamental nas manifestações das Diretas, na Assembleia Nacional Constituinte e também ao processo de afastamento de Fernando Collor da presidência em 1992. Cada um destes momentos tem seus bastidores bem mostrados no livro de Jorge Moreno. Pela Saga de Ulysses, pela importância dos temas e pelo texto leve e saboroso do autor, sobretudo quando revela pílulas de sabedoria política brasileira, o livro merece ser lido.

    Abaixo, uma das últimas entrevistas do Dr. Ulysses ao Programa do Jô, em 1992. Além da inteligência, bom humor em um bom papo com o apresentador.

  • Coligação Democrática

    por João Gualberto

    Marina Silva deu demonstração de grande sabedoria política ao ingressar no PSB do governador Eduardo Campos, depois de ver frustrada sua tentativa de criar um novo partido a tempo de disputar as eleições do ano que vem. Aliás, se Marina foi sábia, mais uma vez a justiça eleitoral foi meramente burocrática. E apegou-se a normas velhas e vencidas do ponto de vista social, para impedir o surgimento do novo partido. De fato havia evidências de um novo partido: ideias, lideranças e adesão popular. Faltou além das cinquenta mil assinaturas, sensibilidade à justiça.

    Marina anunciou junto com a definição pelo PSB, a criação de uma Coligação Democrática para disputar as eleições. Duas agremiações partidárias distintas disputarão o poder juntas com o objetivo de vencer um adversário comum. Este mecanismo permitirá que ela trabalhe a identidade partidária da Rede, ao mesmo tempo em que se associa ao PSB para a eleição que se aproxima. Podemos visualizar um governo – caso o projeto se vencedor – com onde se trabalhem convergências e divergências. Ela pode construir um lugar autônomo para seu grupo político aliançada com o PSB. A estratégia me parece correta.

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    Quem estuda a história política brasileira vai encontrar exemplos de sucesso em casos semelhantes. Aqui mesmo no Espírito Santo tivemos nos anos 1950 e 1960 um bom exemplo disto. O fato me foi lembrado recentemente em longa conversa que tivemos – Estilaque Ferreira dos Santos, Neivaldo Bragato, José Luiz Kfury e eu – com o ex-prefeito de Vitória Setembrino Pelissari. Setembrino foi um dos articuladores da Coligação Democrática que reuniu todos os partidos impedidos de chegar ao poder pela longa dominação do PSD naquela época. Havia, como agora, um adversário a ser vencido. Isto justificava as alianças. A Coligação foi duas vezes vitoriosa, em 1954 e 1962. Mas, a história do próprio Setembrino mostra o caráter eleitoral da aliança. Ele foi deputado através da Coligação e seu líder na assembleia. O grupo político derrotado tinha Christiano Dias Lopes um de seus expoentes. Ele foi ainda presidente da assembleia no governo pessedista. Eles estiveram em lados opostos, afinal Christiano era PSD e Setembrino Entretanto com o Golpe Militar de 1964, UDN e PSD voltaram ao mesmo arco de alianças.

    Afinal não haviam diferenças ideológicas notáveis. No tempo das eleições indiretas Christiano governador fez de Setembrino prefeito de Vitória. Ambos governaram com seriedade e foco na gestão. Dignificaram seus cargos. O que a experiência capixaba nos mostra é que as alianças bem construídas não anulam as diferenças e podem derrotar inimigos em comum.

  • por João Gualberto

    Gigantes do Pensamento Brasileiro: Fernando Henrique Cardoso - por João Gualberto

    publicado no jornal A Gazeta. 21 de setembro de 2013.